Yamadori de Sobreiros
Actualizado em 03 Junho 2010 Escrito por José Machado
No dia 14 de Novembro de 2005, na companhia de um colega de trabalho, resolvi acompanhá-lo a um terreno que iria ser alvo de limpeza.
Já há alguns anos que ninguém ali tocava pelo que os sobreiros que me mostrou tinham alguma grossura de tronco e algum afunilamento (tachaiagari).

Precavido com s devidas ferramentas para a recolha das árvores, lá nos dirigimos para a zona e procedemos à selecção de 4 árvores.
No local, embora houvesse uma enormidade de plantas, apenas escolhemos aquelas que conseguimos trabalhar.
No local procedemos à poda das árvores levando apenas o que interessava, já que estas tinham entre 1,5 metros e os 3 metros.

Não nos devemos esquecer que na altura em que escolhemos o nosso yamadori, não devemos ter em conta a sua copa mas sim o seu nebari, tachiagari, movimento inicial, pois isso é que irá dar personalidade ao nosso futuro Bonsai.
A copa será feita por nós através de aramamento, poda, puxada e outras técnicas que se coadunem para atingirmos os nossos fins.
***
Depois de procedermos à poda da planta, fizemos uma cova à volta da árvore, com cerca de 50 cm de raio e uma profundidade de cerca de 50 cm.
Após atingirmos esta profundidade, serrámos a raiz pivotante. Em alguns casos foi difícil esta operação atendendo à grossura desta. Todos tinham raiz pivotante.
Com as plantas recolhidas, as raízes molhadas e protegidas em sacos de serapilheira deslocámo-nos para a minha casa a fim de as colocar nos vasos.
***
Antes de serem envasadas, estiveram cerca de meia hora numa solução composta por água e um fungicida de largo espectro, neste caso o Previcur.
Desta vez não me esqueci e registei aquilo que raramente aparece, que é o estado das raízes, quando extraídas do solo.



Apresento dois registos de três árvores das quatro recolhidas.
***
Como se tratava de uma experiência, optei por fazer três tipos de solo com o intuito de apurar se o solo tem a influência que se diz ter.
Assim sendo, coloquei dois Sobreiros com um solo composto por 80 % de areão e 20% de turfa; um outro com 50% de leca, 30% de akadama e 20 de turfa; e o último foi colocado apenas em turfa.
Pelo facto dos Sobreiros gostarem de solos ácidos coloquei no topo dos vasos kanuma.
Por último, antes de serem colocados na estufa foram regados com hormonas de enraizamento e vitaminas.

***
Daqui em diante foi só miminhos, controlar a água, para que não secassem nem estivessem encharcados.
À noite fechava a estufa e de dia, caso houvesse sol e a temperatura a isso convidasse, abria-a para que o ar pudesse circular.
***
Adquiri inclusivamente uma estação meteorológica para fazer o registo das temperaturas máximas e mínimas que se verificaram durante esse Inverno.
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Dezembro |
Mínima |
Máxima |
Janeiro |
Mínima |
Máxima |
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Fevereiro |
Mínima |
Máxima |
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1 |
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1 |
9,3 |
20,4 |
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1 |
1,6 |
21,7 |
|
2 |
|
|
2 |
7,8 |
20,5 |
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2 |
2,3 |
19,1 |
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3 |
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3 |
6 |
21,3 |
|
3 |
6,1 |
18,8 |
|
4 |
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4 |
4 |
19,5 |
|
4 |
4,6 |
20,1 |
|
5 |
|
|
5 |
2,8 |
20,3 |
|
5 |
2,7 |
21,2 |
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6 |
|
|
6 |
8,3 |
17 |
|
6 |
1,9 |
20,6 |
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7 |
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7 |
3,9 |
19,2 |
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7 |
1,9 |
20,4 |
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8 |
|
|
8 |
2,3 |
18,6 |
|
8 |
4,2 |
21,5 |
|
9 |
|
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9 |
3,3 |
19,2 |
|
9 |
7,4 |
19,2 |
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10 |
|
|
10 |
4,2 |
18,1 |
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10 |
9,6 |
24 |
|
11 |
|
|
11 |
2,9 |
19,1 |
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11 |
9,9 |
27,6 |
|
12 |
|
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12 |
4,2 |
19,8 |
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12 |
6,3 |
22,4 |
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13 |
3,1 |
19,9 |
13 |
3,2 |
18,2 |
|
13 |
6,5 |
21,3 |
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14 |
4,2 |
19,3 |
14 |
6,2 |
19,6 |
|
14 |
8 |
27,3 |
|
15 |
2,9 |
18,8 |
15 |
4,9 |
12,7 |
|
15 |
6,7 |
25,3 |
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16 |
1,7 |
18,2 |
16 |
3,9 |
18,7 |
|
16 |
6,7 |
23,4 |
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17 |
2,1 |
18,7 |
17 |
4,4 |
13,3 |
|
17 |
|
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18 |
3,4 |
19,8 |
18 |
6,9 |
15,5 |
|
18 |
|
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19 |
3,4 |
19,3 |
19 |
5,8 |
21,1 |
|
19 |
7,1 |
23,7 |
|
20 |
3,9 |
20,7 |
20 |
5,8 |
22,4 |
|
20 |
6,3 |
20,6 |
|
21 |
5,2 |
19,3 |
21 |
4,7 |
21,9 |
|
21 |
4,6 |
22,2 |
|
22 |
4,4 |
20,1 |
22 |
5,4 |
19,8 |
|
22 |
3,4 |
23,9 |
|
23 |
6,6 |
15 |
23 |
5,7 |
21,3 |
|
23 |
4,3 |
17,5 |
|
24 |
8,3 |
18,1 |
24 |
4,9 |
14,7 |
|
24 |
2,6 |
20,6 |
|
25 |
11,1 |
19,2 |
25 |
9,2 |
14,9 |
|
25 |
6,5 |
12,4 |
|
26 |
11,9 |
16,7 |
26 |
5,2 |
22,4 |
|
26 |
5,6 |
21,4 |
|
27 |
8,2 |
20,7 |
27 |
8,1 |
13,2 |
|
27 |
4,4 |
28,1 |
|
28 |
5,3 |
18,4 |
28 |
0,7 |
18,4 |
|
28 |
3,7 |
25,1 |
|
29 |
5,4 |
18,7 |
29 |
3,2 |
7,8 |
Nevou |
|
|
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30 |
10,6 |
17,8 |
30 |
0,4 |
17,7 |
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31 |
10,3 |
18,2 |
31 |
0 |
20,1 |
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Como podem ver as amplitudes térmicas foram significativas mas todos eles entraram em actividade e desenvolveram-se muito bem, pese embora, pela 1ª vez em 50 anos tenha nevado na região da grande Lisboa.

Contrariamente ao que estava à espera a 1ª árvore a entrar em actividade foi a que tinha apenas turfa na composição do solo.
Como iremos ver mais à frente foi sol de pouca dura.
Isto porque depois quando foram colocadas no exterior foi a que necessitou de mais atenção uma vez que sempre que chovia mais do que dois ou três dias consecutivos tinha que ser devidamente protegida.
***
No ano de 2006 nada se fez, a não ser o controle da rega, pequenas doses de adubo aplicação de fungicidas, enfim o trivial em qualquer Bonsai.
***
Em 2007, procedi ao transplante para verificar como é que estavam as raízes, como é que estas tinham reagido e no fundo para verificar porque razão as anteriores tentativas minhas tinham sido infrutíferas.
O que constatei é que embora tenham sido os últimos a arrancar, aqueles cujo solo era o mais drenante foram os que apresentaram melhores raízes, e mais, estavam micorrizadas. Um deles tinha micorrizas de duas cores, amarelas e brancas.

No canto superior esquerdo consegue-se ver micorrizas brancas

Aqui vemos o torrão completamente micorrizado
Infelizmente o Sobreiro que estava somente em turfa não micorrizou nem as suas raízes se ramificaram como os outros.

Outra coisa que constatei é que as raízes grossas que ficaram aquando da recolha do campo secaram e morreram, sendo que as raízes que ficaram eram todas novas como se estas árvores tivessem pegado de estaca.

Não se nota bem mas estas raízes grossa nasceram por baixo duma raiz que secou


Na altura em que foram recolhidos, coloquei-os em simples vasos de plástico

Só quando procedi ao transplante é que utilizei vasos de bonsai e porque os tinha disponíveis uma vez que se encontram em fase de formação pelo que não é necessário estarem em vasos “definitivos”.
Nesta altura só tenho comigo estes dois porque o que estava em turfa não resistiu ao transplante e o quarto ofereci-o à Teresa.
Actualmente encontram-se a desenvolveram-se e a serem modelados, pois os Sobreiros devem ser aramados quando as suas pernadas têm um diâmetro fino e maleável.
Assim que atingem uma grossura considerável tornam-se difíceis de trabalhar.
Como se podem ver nestas duas últimas fotografias há um que está a ter um desenvolvimento muito mais rápido que o outro, pois tratam-se de seres vivos, logo dificilmente podemos tirar o padrão exacto para qualquer das espécies que tratemos.
Como conclusão ouso alvitrar que os Sobreiros de Yamadori:
- Também podem ser recolhidos no Outono;
- O seu solo deve ser drenante;
- As raízes velhas serão provavelmente a fonte de energia para o surgimento de novas, morrendo de seguida;
- Que o controle da rega é essencial ao sucesso;
- Que após os primeiros meses, podem ser ligeiramente adubados;
- Que devem ser prevenidos os ataques de fungos e controladas as pragas;
- Podem ser colocados ao sol (neste caso no Outono / Inverno).
Espero sinceramente, que daqui a alguns anos façam parte das exposições que a ALB irá organizar.
José Machado – Out./2007

